Explicação do Blog
A ideia foi de Marcos Palácios
Postado em 16 de Junho de 2010
No dia 10 de Junho de 2010, 5ª feira e feriado de Camões em Portugal, íamos Marcos e eu a caminho de Bilbau. O fito da viagem era integrarmos no dia 11 a banca das provas de doutorado de Ana Serrano na Universidade do Pais Basco. Da Covilhã a Bilbau são 600 Km de auto-estrada, e conduzindo ora Marcos, ora eu, o caminho fez-se bem, falando de coisas e loisas, e também sobre a relação do LabCom e centros de pesquisa brasileiros. Aí Marcos sugeriu fazermos um blog de apresentação do LabCom, da UBI, e da Covilhã.
Da Covilhã à fronteira de Espanha são 75 Km, até Salamanca 200 Km, e 315 Km até Valladolid. Aí parámos para almoçar e na toalha de papel da mesa do restaurante fixámos o nome de Para Lá de Cacha Pregos para designar o blog e para referir a Covilhã, cidade de 30 mil habitantes, num pé da Serra de Estrela, a mais alta de Portugal, e com neve no Inverno.
Quando chegámos a Bilbau e nos alojámos no Hotel Nervión ao lado do Museu Guggenheim a ideia estava pronta. Seria necessário reunir no blog informações úteis, desde as coisas comezinhas como planear a vinda para Portugal, obter vistos de residência em Portugal e encontrar alojamento, até como, já integrados no LabCom, concretizar o plano de trabalhos de pesquisa e organizar eventos científicos.
Regressámos de Bilbau à Covilhã no dia 12, sábado. No caminho parámos para visitar a Catedral de Burgos. Impressionante a catedral. É seguramente uma das catedrais que cristalizam o espírito da velha Europa e um dos mais belos monumentos da Humanidade.
Dia 14 de Junho, 2ª feira, Marco Oliveira, criou a parte informática do blog: http://paraladecachapregos.ubi.pt, ontem Marcos e Annamaria Palacios e eu definimos a fotografia para colocar no cabeçalho do blog, que mostra a Covilhã no sopé da Serra, e hoje, 16 de Junho, escrevo o primeiro poste.
António Fidalgo
Cacha Pregos cá e lá
Postado em 16 de Junho de 2010
A idéia inicial foi a criação de um espaço para servir de ligação entre pesquisadores brasileiros sediados aqui no Labcom e colegas no Brasil, mostrando projetos em andamento, abrindo possibilidades e incentivando-os à integração neste canal de colaboração Brasil-Portugal, através de convênios, visitas, participação em eventos, estágios pós-doutorais, doutorados sanduíches.
Minha já longa experiência de colaboração acadêmica com a UBI e o Labcom, que está culminando este ano com uma permanência de 12 meses como pesquisador pós-doutoral e Professor Catedrático Visitante, levou-me sugerir a criação desta ponte virtual.
Na conversa inicial, Antonio Fidalgo e eu começamos a elencar as funções que poderia vir a ter este espaço: servir de repositório para relatos e reminiscências dos que por aqui estão ou por aqui passaram; manter informados os pesquisadores brasileiros sobre o que ocorre no Labcom; motivar outros colegas para que venham desfrutar desta experiência única que é viver e trabalhar em Covilhã, ao pé da Serra da Estrela. Além disso, esperamos poder oferecer subsídios práticos, com dicas e informações para facilitar a busca de apoios institucionais, bem como para agilizar os processos de liberação e as tramitações consulares e burocráticas que cercam as saídas para formação acadêmica no Brasil.
Mas por que o nome “Para além de Cacha Pregos”? Para os portugueses, em princípio, a expressão nada significa. Para nós, brasileiros, transmite uma clara noção de lugar longínquo, situado muito para lá de “onde Judas perdeu as botas”….
E Covilhã fica mesmo para lá de Cacha Pregos? Sim e não. Para os europeus e para os portugueses em particular, qualquer distância maior que 100 km. requer botas-de-sete-léguas para ser vencida; qualquer lugar a mais de 50 km. de um grande centro urbano, está fora do mapa. Para nós brasileiros, acostumados com os espaços continentais de nosso país, tudo é mais perto. Muitos de nós se acostumaram a deslocamentos algumas vezes de dezenas de km. – em uma única noite ou manhã de domingo – para uma simples ida a um restaurante ou a uma praia mais seletiva. Covilhã está a 280 km. de Lisboa, por uma excelente auto-estrada: uma distância considerável para a maioria dos colegas portugueses; uma viagem fácil, de menos de três horas, para nós brasileiros.
Localizada no sopé da Serra da Estrela, onde estão as montanhas mais altas de Portugal e onde neva no inverno (há até pista de ski!), Covilhã está cercada por aldeias históricas, românticas e paradas no tempo, com seus pelourinhos e antigos castelos, como Sortelha, Monsanto, Castelo Novo, Penamacor, Idanha-a-Velha, Sabugal, as aldeias do xisto, e tantas outras. A menos de 30 km. de Belmonte (onde nasceu Pedro Álvares Cabral) e a cerca de 80 km. da fronteira da Espanha, Covilhã dista de 100 a 300 km. de cidades portuguesas e espanholas de altíssimo interesse, como Salamanca (203), Cáceres (183), Mérida (281), Ávila (306), Coimbra (140), Aveiro (207), Évora (265), Porto (251), Viseu (131).
É na Covilhã, com sua quietude, sua segurança, seu ar puro, que está instalado o Labcom, um dos mais bem avaliados centros de pesquisa e ensino em Comunicação de Portugal. Parte de uma Universidade moderna alojada em prédios antigos, que já abrigaram os centenários lanifícios da região, o Labcom oferece um espaço privilegiado para quem necessita de sossego e boa interlocução acadêmica para pensar, escrever, publicar.
Pouco a pouco, neste espaço, desvendaremos os muito atrativos – acadêmicos e extra-acadêmicos – que fazem da Covilhã e do Labcom um destino, não apenas um lugar de passagem.
marcos palacios